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Fazia dez dias que aterramos no aeroporto internacional do Cairo. Conhecemos a cidade, visitamos as Pirâmides, subimos o Nilo desde Assuão até Luxor e era hora de nos dirigirmos para Hurghada para desfrutarmos do Mar Vermelho. Cerca de quatro horas para percorrer trezentos quilómetros. Até Qina fomos acompanhados por um guia que falava Inglês e Espanhol, depois ficamos apenas com o condutor do autocarro que nos sorria muito mas não percebia nadinha do dizíamos. Até aqui o grupo vinha animado, na conversa e risada, mas as horas de viagem, o cansaço e a própria estrada fizeram que se instalasse o silêncio e quase todos adormeceram, menos eu. Também estava cansada mas nem pensar em dormir naquela que já foi considerada uma das estradas mais perigosas do mundo. Nem pensar em perder o cenário de deserto e montanhas douradas pela última vez. E foi mesmo assim, por mais de duzentos quilómetros, a estrada era recta, sem curvas ou desvios. Sempre em frente era o caminho. A cor preta do alcatrão da estrada era o único contraste na paisagem de areia que nos rodeava. Nada se cruzou no nosso caminho, nem carros, nem pessoas, nem animais. O sol batia nos vidros e teimava em entrar. Todos dormiam menos eu e o motorista... não, o motorista também dormia ou quase. O autocarro continuava a avançar na mesma velocidade em linha recta mas pelo espelho retrovisor percebo que as pálpebras do senhor caiem e teimam em ficar fechadas. Pânico! O gajo está a dormir e a carroça segue sozinha!!! Acordamos o pessoal, todos Portugueses por sinal e o senhor meu marido com toda a sua classe, saca do telemóvel, liga-o ao cabo do microfone e inicia um espectáculo de cantoria que todos copiamos para nos manter acordados, a nós e ao motorista! Assim foi, todos acordadinhos até ao destinos, a cantar Quim Barreiros e outros pimba. O motorista também cantava: ala ala ala... ou agradecia, talvez ambos e sorria, sorria muito, especialmente para o Niso. Acho que lhe agradecia a subtileza!

 

estrada entre Luxor e Hurghada

 

A história não termina aqui. Chegados a Hurghada já a anoitecer, o grupo decide ir jantar. Escolhemos uma mesa onde cabemos todos e esfomeados deixamos o Niso sozinho e atacamos o buffet. Quando regressamos temos o garçon com um tabuleiro cheio com 12 copos de sumo de laranja que distribui pela mesa. Será oferta? Boas-vindas? Eu não quero sumo de laranja, quero cola, e eu também não, quero uma água e eu cerveja, do you have beer?, e o garçon já bufa e revira os olhos e põe os braços na cintura e pragueja em Árabe... You ask for orange juice! Quem nós? Não! Nós nem pedimos nada! Nós não. Quem pediu?  - Him. e aponta para o Niso. É ele o culpado. Estranho, ele não sabe falar bem Inglês e pediu 12 sumos de laranja? Não pode... Apesar das barreiras linguísticas conseguimos perceber o que se passou e a conversa foi assim:

- Hello! Where are you from?

- Portugal.

- Oh! Good! What are you going to drink?

A pergunta em Inglês com sotaque Árabe deve ter soado a - de onde? Como se o garçon conhecesse Portugal...

- Do Porto. Portugal.

- Ok, how much?

- Quantos somos? Somos 12.

- Ok.

E aparecem 12 sumos de laranja na mesa. Parece que sumo de laranja em árabe se pronúncia "easir alburtuqal". Mr. Porto foi como se passou a chamar.

 

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End of story? Não. As peripécias continuam. Estamos em Hurghada, descansamos na praia, fazemos snorkell, visitamos a cidade. Eis que ouço falar em Paradise Beach. Quem quer ir? Vamos todos, o grupo inteiro. O nosso guia contrata um iate daqueles todo xpto e navegamos para Giftun Island. À ilha assenta-lhe bem o nome da praia: areia branca e água cristalina onde se reflecte o azul do céu. Calor q.b., passamos lá a tarde entre mergulhinhos em caldo de sopa e banhos de sol. Maravilha. Regressamos ao iate que se põe a caminho da marina de Hurghada. O grupo instala-se na proa do iate para receber os últimos raios de sol e ver as vistas, menos Mr. Porto que preferiu a sombra e se refastelou num sofá da sala. Começou a cheirar-lhe a queimado, provavelmente o staff estaria a fazer uma refeição, mas o cheiro tornou-se cada vez mais intenso. Decidiu questionar o guia sobre o cheiro franzindo o nariz. O guia acenou-lhe afirmativamente, também sentia. Quais cães de caça seguiram o cheiro que vinha de dentro de uma caixa de onde já saia também fumo. Entendido nas artes Mr. Porto apontou e disse para o guia: - Smoke! Fire! ao qual ele retorquiu calmamente e voltando a sentar-se: - No fire, everything ok. Don't worry. Everything ok. Mas Mr. Porto só pensava em morrer afogado e com o pior vernáculo típico do norte de Portugal explicou-lhe que aquilo era o motor do barco: - Eu sou mecanicien e o barco está a arder. Vai mas é chamar o captain. O guia corre disparado mas volta com o cozinheiro de garfo em riste, abre a caixa e era fumo e fogo e labaredas a sair do motor. O barco parou. Chegamos à marina quase noite a reboque. Não fosse Mr. Porto...!

 

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