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Hoje vamos comer as castanhas que o dono destas cabras nos ofereceu aquando do trilho da Cidade da Calcedónia.

Encontramos o pastor e as suas cabras saltitantes no início do trilho. Depois de cinco horas embrenhados no caos de grandes penhascos de granito e suas fendas, voltamos a encontrá-lo com um saco cheio do fruto dos castanheiros que abundam por estes lados. Deu-o à S. impressionado com o esforço da pequena. "Amanhã apanho mais.".

Se por cá o quilo da castanha está entre os dois euros e meio a cinco euros o quilo, ali, por terras da Calcedónia são oferta da natureza e da bondade de muitos.

Bom São Martinho!

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Subida à Calcedónia, uma das coroas de gloria cá da terra. A tarde estava como um veludo, e as fragas, amolecidas pela luz, pareciam broas de pão a arrefecer. Do alto, a paisagem à volta era dum aconchego de berço. Muros sucessivos de cristas — círculos concêntricos de esterilidade — envolviam e preservavam a solidão. Nas vezeiras, resignadas, as rezes esmoíam os tojos como quem ajeita um cilício ao corpo. E mais uma vez me inundou a emoção de ter nascido nesta pequena pátria pedregosa que é Portugal. Há nessa condenação como que uma graça dos deuses. Também é preciso ser de eleição para merecer certas pobrezas...

Miguel Torga - Diário VI - Gerês,6 de agosto de 1952

 

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Incluído na rede dos trilhos pedestres na senda de Miguel Torga, o Trilho da Cidade da Calcedónia é realmente um trilho difícil devido ao traçado declivoso. A S. não mostrou grandes dificuldades excepto quando as silvas se impunham no caminho e lhe picavam as pernas. A vontade de passar na dita fenda era motivação bastante para a fazer seguir em frente.

Se para alguns, encontrar a fenda não é fácil, o Walk Me guiou-nos ao destino sem erros. "Porque não tem uma placa na porta a dizer: chegou ao seu destino?".

Não nos embrenhamos na escuridão da fenda: não quisemos sujeitar a S. à violência daquela subida. "Se não era para entrar tinha ficado bem melhor no sofá a ver a Disney!". 

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